quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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É hora de romper de vez

por Rodrigo Silveira

Foto: Leandro Boeira / Avaí F.C.

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modelo associativo de clube chegou ao fim. E, por incrível que pareça, as eleições são um dos principais motivos para isso, em especial esta que está prestes a ocorrer no Avaí.

A oposição passou três anos e oito meses pedindo “Fora Júlio”, contando os dias para terminar a gestão do presidente Júlio Heerdt. Passou três anos e oito meses pedindo impeachment a cada eliminação, pedindo sua destituição ao Conselho Deliberativo a cada vexame em campo. Aí agora, em outubro, faltando dois meses para de fato terminar o mandato do presidente, não tem ninguém pronto para assumir, não tem nenhum projeto pronto para ser colocado na rua, e estão reclamando que é porque a eleição foi antecipada, por assim dizer, em vinte dias.

Ora, quer dizer, uma eleição dia 9 de novembro é impossível de a dita oposição participar, porque não teve tempo hábil para se organizar, mas se for vinte dias depois, no começo de dezembro, está todo mundo pronto para assumir o Avaí em 2026, e com isso também os seus desafios que vêm pela frente? As regras podem mudar um pouco de eleição pra eleição, mas desde 2013 se sabe que ela ocorre em novembro ou dezembro e que são necessárias 150 assinaturas para formar uma chapa. O estatuto atual está vigente desde o final de 2021. Não se organizou quem não quis, ou não teve competência para fazê-lo.

Aos que pediram a saída do presidente Júlio ao longo desse tempo, imaginavam o que? Que o clube ia entrar em hiato até todo mundo se decidir o que fazer? Pelo ritmo das críticas, das pressões, muitas delas justas, por sinal, o torcedor Avaiano estaria imaginando um grupo de fato preocupado com o Avaí, organizado, planejado, com ideias prontas pra assumir e consertar o clube assim que fosse possível. O que estamos vendo, está bem longe de acontecer.

Agora que as chapas começaram a se mostrar. A chapa da oposição teve que se unir com dois, três outros postulantes que se manifestaram de última hora e até a última segunda-feira não tinha um candidato a vice-presidente. Se pedirmos um documento com um plano de gestão, mesmo que rudimentar, ninguém tem. Isso não é culpa da dita antecipação, uma decisão, aliás, bem acertada. Até pelas mudanças atuais do calendário do futebol brasileiro apresentadas na última semana.

Então, isso mostra que todo mundo adora a democracia, todo mundo adora bater no peito e dizer que o clube é seu, dizer que o clube é do povo, dizer que o clube pertence a uma torcida, mas muito pouca gente se organiza para exercer essa democracia de fato, que é o que a gente está vendo agora. Muita gritaria ao longo dos três anos e oito meses do presidente Júlio, e muitas dessas críticas residiam numa possível falta de planejamento e profissionalismo, e na hora que realmente é para a poeira assentar e colocar ideias no papel e apresentá-las na rua, não tem ninguém pronto.

Assim, esse é o pessoal que está muito preocupado com o Avaí virar uma Sociedade Anônima de Futebol, uma SAF? Porque o Avaí vai deixar de ser dessas pessoas que não conseguem se organizar durante três anos e oito meses para montar uma chapa de oposição? Então, fica muito difícil defender o modelo associativo quando o principal pilar desse modelo não acontece, que é a participação das pessoas para além da gritaria de rede social.


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