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vaí e Chapecoense decidem o Campeonato Catarinense em 2025 pela sexta vez. O confronto agora forma aquele que mais ocorreu nas decisões de torneios estaduais, uma história que iniciou em 1977 cercada de polêmica. Episódio que ficou conhecido como “Caso Cosme” provocou desencontros, ameaça de WO e juiz sendo erguido nos braços no gramado pela torcida verde nos confrontos entre ambos naquele Estadual. Ao final, o primeiro título da Chapecoense, que havia sido fundada quatro anos antes.
O texto abaixo foi publicado pelo coletivo Memória Avaiana e trazido para o site com a autorização de seus autores.
Caso Cosme
Em 1977, a legislação desportiva definia que o jogador que fosse expulso numa partida amistosa com súmula deveria cumprir a suspensão automática na primeira partida subsequente. Um pouco antes do jogo contra o Avaí (16/09/1977), a Prefeitura de Joaçaba convidou a Chapecoense para uma partida amistosa contra o Joaçaba no aniversário da cidade, aproveitando a rivalidade entre os dois municípios.
O amistoso foi realizado com súmula e o jogo estava 1 X 1 quando uma confusão começou após uma entrada violenta do lateral Cosme num jogador do Joaçaba. Cosme foi expulso do jogo e como a primeira partida oficial da Chapecoense seria contra o Avaí, em Florianópolis, válido pelo pentagonal final do Estadual. A diretoria da Chapecoense teria enviado para a Federação Catarinense de Futebol uma súmula onde não constava a expulsão do seu jogador.
Quando o Avaí soube que o lateral Cosme – peça fundamental no esquema tático da Chapecoense – não tinha condições de jogo e mesmo assim participou da partida contra o Avaí (empate em 1X1, no Scarpelli), o advogado do clube ilhéu entrou com um protesto no Tribunal pleiteando os pontos da partida devido a sua escalação irregular. Dias depois o Avaí foi fazer o segundo jogo contra a Chapecoense em Chapecó (02/10/1977) e perdeu por 4 X 3, com o time da casa novamente escalando Cosme.
Como o Avaí tinha solicitado a impugnação do primeiro jogo, por coerência solicitou igualmente a impugnação da segunda partida. Neste segundo confronto, perdido pelo Avaí, o árbitro foi o folclórico Alvir Renzi, que chegou a ser clicado em meio aos festejos da vitória da Chapecoense, sendo carregado nos braços pela torcida local.

Nesta altura do campeonato o Avaí já havia se tornado persona non grata em Chapecó (foto abaixo) e o departamento jurídico do Avaí juntava provas de que a Chapecoense adulterou a súmula do amistoso contra o Joaçaba. Uma rádio de Joaçaba confirmou a versão avaiana de que Cosme havia sido expulso durante o amistoso. Na súmula falsa, o nome de Cosme de Souza Rocha havia sido substituído por Elói de Souza Klein. Descobriu-se ainda que, naquele amistoso, a Chapecoense havia se reforçado com dois jogadores emprestados do clube União da Vitória (PR), que ao fim da partida tomaram o ônibus de volta para a sua cidade.

Assim, esses dois atletas não poderiam ter assinado a súmula no dia seguinte ao jogo. Tudo foi confirmado com a confissão de um funcionário da prefeitura de Joaçaba, que assumiu ter assinado a nova súmula sem a expulsão de Cosme, falsificando a assinatura dos dois jogadores do União da Vitória. No TJD/SC, o auxiliar de escritório da Prefeitura de Joaçaba, José Ruaro, testemunha do Avaí, foi categórico ao afirmar que tinha assinado a súmula do jogo em nome do jogador da Chapecoense, o que foi confirmado por Dirceu Bareta, dirigente do Joaçaba.
No entanto, apesar de ter provado as irregularidades ocorridas nos dois confrontos contra a Chapecoense, ao Avaí não foi concedido um mandado de segurança que solicitava um efeito suspensivo para um terceiro jogo. As provas apresentadas eram irrefutáveis e para os advogados avaianos o jogo extra, que seria disputado em Chapecó, teria um caráter amistoso e não mais de decisão de título, afinal, o Avaí deveria ficar com os pontos das duas partidas anteriores entre as equipes após o julgamento.
Em represália a obrigação de realizar um jogo extra, já que sem a retirada dos pontos Chapecoense e Avaí chegaram empatados à fase final, o Leão pensou em levar um time misto para Chapecó. Jogadores titulares do Avaí sequer queriam entrar em campo, temendo por sua segurança após declarações da torcida da Chapecoense e a falta de estrutura proporcionada pelo então estádio Índio Condá.
Após muitas reuniões, o Avaí decidiu entrar em campo em Chapecó, mas sob protesto e na esperança de que, posteriormente, o STJD anulasse a partida. Jogadores avaianos da época relatam que foram obrigados a irem para Chapecó, com um advogado citando até o AI-5 para argumentar que não poderiam se negar.
Retrospecto contra Chape em 1977
Em 1977 Avaí e Chapecoense jogaram diversas vezes, criando uma rivalidade que fora impulsionada pela rixa entre Capital e Interior. O 1º confronto entre os dois no ano foi um amistoso, no Estádio Índio Condá, em março daquele ano, vencido pelo Avaí por 1 a 0, gol de Almir. No entanto, as tensões vividas entre os dois clubes naquela temporada, desenrolados ao longo de mais sete confrontos pelo Campeonato Catarinense, iniciaram na partida seguinte.
Vamos relembrar aqui a cronologia dos fatos, sobre os jogos válidos pelo Campeonato Catarinense:
25/5/1977 – Chapecoense 1 X 0 Avaí
Após a partida o Avaí reclamou da falta de segurança do estádio Índio Condá, com uma grande quantidade de torcedores dentro de campo. Alegou também que o árbitro Antônio Rogério Osório foi coagido pelo ambiente hostil e pelo Vice-Presidente da FCF e dirigente da Chapecoense, Heitor Pasqualotto, um dos fundadores do time do Oeste. Na saída para o jantar, carros trancaram o ônibus do Avaí na Av. Getúlio Vargas. Torcedores jogaram pedras e batiam com pedaços de pau no ônibus.
Quando a delegação se preparava para o jantar, torcedores invadiram o restaurante e começaram a provocação com palavras, mas foram contidos pelo dono do restaurante. Após as reclamações avaianas, a direção da Chapecoense emitiu uma nota, assinada pelo diretor de patrimônio Manir Sarquis, chamando o Avaí de “timinho de várzea”.
Ficha da partida:
21h – Chapecoense 1 x 0 Avaí – Camp. Catarinense.
Local: Estádio Regional Índio Condá/Chapecó/SC.
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Carlos Alberto, Décio e Zé Carlos; Janga, Valdir e Sergio Santos; Wilsinho (Bicofino), Carlos (Nabé) e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira.
Avaí: Danilo, Souza, Maneca, Veneza e Orivaldo; Lourival, Almir e Renato Sá; Ademir (Nilson), Néia e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Arbitragem – Antônio Rogério Osório/SC auxiliado por Aderbal Filho e Joel Xavier Leite.
Cartões amarelos – Zé Carlos, Cosme (C); Veneza, Lico, Souza(A).
Cartões vermelhos – Sérgio Santos (C); Néia(A).
Público – 5.174.
Renda – CR$ 128.520,00.
Gol – Décio(C) 26’ do 2º tempo.
17/6/1977 – Avaí 0 X 0 Chapecoense.
A partida estava originalmente marcada para o dia 06/6, mas acabou adiada. A Chapecoense queria que o jogo fosse em Itajaí, alegando que após os acontecimentos ocorridos na partida anterior, em Chapecó, os dirigentes teriam recebido ameaças de retaliação por parte de torcedores avaianos, Por questão de economia, o Avaí não abriu mão do jogo ser realizado em seu estádio, o Adolfo Konder.
O vice-presidente da FCF e presidente de honra da Chapecoense, Heitor Pasqualotto passou então a insistir que o jogo fosse no Orlando Scarpelli, propondo o pagamento da taxa de CR$ 12.000,00 que o Avaí economizaria no jogo. O Avaí respondeu que só aceitaria a oferta se a FCF fizesse o mesmo em todos os jogos do Avaí, o que a FCF não concordou. O então presidente do Avaí, Luiz Carlos Espíndola, declarou achar estranha tanta interferência em prol da Chapecoense.
No dia marcado para a partida, o Avaí foi para o Adolfo Konder e a Chapecoense para o Orlando Scarpelli. O árbitro escalado era Dalmo Bozzano, que esteve nos 2 estádios. O Avaí recebeu um ofício da FCF às 11h do dia do jogo, comunicando a transferência do jogo para o Orlando Scarpelli e assinado por Heitor Pasqualotto. Curiosamente, o estádio Orlando Scarpelli não tinha condições de jogo, pois estavam sendo montadas as estruturas para o show de Jota Cardoso e o gramado estava tomado por máquinas e madeiras e carros velhos que seriam demolidos no show dos Volantes Voadores.

Por insistência da FCF, o jogo acabou sendo realizado no Orlando Scarpelli, sendo transferido para o dia 17/6, num empate em 0 a 0.
Ficha da Partida:
20h45min – Avaí 0 x 0 Chapecoense – Camp. Catarinense.
Local: Orlando Scarpelli/Florianópolis/SC.
Avaí: Danilo, Souza, Maneca, Veneza e Orivaldo; Almir, Balduíno e Renato Sá; Gilberto, Néia (Nilson) e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Carlos Alberto, Décio e Zé Carlos; Janga, Sergio Santos (Nabé) e Valdir; Jaime (Silva), Eluzardo e Wilsinho. Técnico: Edgar Ferreira.
Arbitragem – Dalmo Bozzano/SC auxiliado por Raul Dewitz e Darci Telles.
Cartões amarelos – Danilo, Néia(A); Zé Carlos, Eluzardo, Jaime(C).
Público – Não divulgado.
Renda – CR$ 41.330,00.
13/7/1977 – Chapecoense 1 X 1 Avaí.
No retorno do Avaí a Chapecó, após as ameaças e agressões sofridas na primeira partida, o Leão conseguiu um empate em 1 a 1, com gol de Balduíno. Dalmo Bozzano novamente foi o árbitro da partida.
Ficha da Partida:
20h45min – Chapecoense 1 x 1 Avaí – Camp. Catarinense
Local: Estádio Regional Índio Condá/Chapecó/SC
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Silva, Décio e Nabé; Janga, Bicofino (Sergio Santos) e Zezinho; Wilsinho, Fernando Rabelo (Valdir) e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira
Avaí: Zé Carlos, Orivaldo, Marcos, Veneza e Cacá; Lourival, Almir e Balduíno; Lico, Néia e Renato Sá. Técnico: Emilson Peçanha.
Arbitragem – Dalmo Bozzano/SC auxiliado por Ademar Berlotto e Aristides dos Santos.
Público – Não divulgado.
Renda – CR$ 30.240,00.
Gols – Balduíno(A) 11’, Sérgio Santos(C) 31’ do 2º tempo.
18/8/1977 – Avaí 0 X 0 Chapecoense.
Na terceira partida seguida entre Avaí e Chapecoense apitada por Dalmo Bozzano, um novo empate, em 0 a 0, no estádio Orlando Scarpelli.
Ficha da Partida:
20h45min – Avaí 0 x 0 Chapecoense – Camp. Catarinense.
Local: Estádio Orlando Scarpelli/Florianópolis/SC
Avaí: Danilo, Orivaldo, Marcos (Chico Botelho), Veneza e Cacá; Almir, Balduíno e Renato Sá; Ademir, Néia e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Chapecoense: Luis Carlos, Zé Carlos, Carlos Alberto, Décio e Nabé; Sergio Santos (Cosme), Valdir e Serginho; Jaime (Sarico), Jorge e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira.
Arbitragem – Dalmo Bozzano/SC auxiliado por Valdir Pires e Nestor Mário Tartari.
Cartão amarelo – Néia(A).
Cartão vermelho – Nabé(C).
Público – Não divulgado.
Renda – CR$ 65.265,00.
16/9/1977 – Avaí 1 X 1 Chapecoense.
No 6º jogo entre as duas equipes naquele ano, o 5º empate da temporada, novamente no Orlando Scarpelli. O gol avaiano foi de Lourival, aos 43 minutos do 2ºT. Na Chapecoense, um dos destaques do time, o lateral Cosme, atuou normalmente, dando início ao “Caso Cosme”, citado acima.
Ficha da Partida:
Avaí 1 x 1 Chapecoense – Camp. Catarinense.
Local – Orlando Scarpelli/Florianópolis/SC
Avaí: Danilo, Orivaldo, Chico Botelho, Veneza e Cacá; Almir, Balduíno e Renato Sá (Lourival); Ademir, Néia (Otacílio) e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Carlos Alberto (Silva), Décio e Zé Carlos; Janga, Valdir e Zezinho (Sergio Santos); Jaime, Jorge e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira.
Arbitragem – Francisco Simas/SC
Renda – CR$ 74.690,00
Público – Não divulgado.
Gols – Valdir(C) 13’ do 1º tempo; Lourival(A) 43’ do 2º tempo
02/10/1977 – Chapecoense 4 X 3 Avaí.
O Avaí foi a Chapecó para disputar o que deveria ter sido o último jogo contra a Chapecoense no ano, pela pentagonal final. Como já era esperado, o clima era totalmente contrário ao Avaí, que estava comprovando a fraude cometida pela Chapecoense e deveria receber os pontos da partida anterior entre os clubes. Na véspera do jogo, sábado, o Avaí não conseguiu campo para treinar. À noite, a polícia teve de dar tiros para o alto, a fim de acabar com o foguetório à porta do hotel onde os jogadores tentavam dormir. No dia da partida, houve invasão do campo pela torcida, que desfilou um boneco enforcado, vestido com as cores do Avaí. No estádio havia uma faixa onde dizia: “Avaí persona non grata”.
Ao fim do primeiro tempo, 2 a 2. Quando buscavam o vestiário, os jogadores avaianos tornaram-se alvos fáceis da torcida: atingido por uma garrafada, o lateral Orivaldo levou três pontos na cabeça, dado no vestiário pelo estudante de medicina Libório Soncini. Vicente Delai, então diretor de futebol da Chapecoense, invadia o campo a todo minuto. Edgar Ferreira, o técnico, fez pior: suspenso, insistiu em ficar no banco e teve que ser expulso quatro vezes.
Após o jogo, o árbitro Alvir Renzi saiu carregado nos braços da torcida, tendo em vista que não deu impedimento de Wilsinho no 4º gol da Chapecoense, já que o ponteiro estava bem adiantado a frente dos zagueiros avaianos. Os jogadores do Avaí, Cacá, Almir e Danilo ficaram encurralados num canto, devido ao foguetório que vinha de todos os cantos e as ameaças de agressões físicas por parte dos torcedores. Foram socorridos pelos jogadores da Chapecoense, Décio e Cosme, orientando-os para que tirassem a camisa e assim conseguiram chegar ao vestiário.
Orivaldo, com a cabeça enfaixada, disse que foi bom o Avaí ter perdido, pois se fosse outro resultado, os jogadores não sairiam vivos. Orivaldo terminou declarando que Chapecó era terra de índio e de bandido, causando ainda mais polêmica. De acordo com o regulamento do Catarinense de 1977, haveria uma partida extra, caso duas equipes terminassem empatadas na fase pentagonal final da competição, disputado por Avaí, Chapecoense, Comerciário, Joinville e Paysandu.
Ficha da Partida:
15h – Chapecoense 4 x 3 Avaí – Camp. Catarinense.
Local: Estádio Regional Índio Condá/Chapecó/SC.
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Carlos Alberto, Décio e Zé Carlos; Janga, Valdir e Sergio Santos; Wilsinho, Jorge e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira.
Avaí: Danilo, Orivaldo (Lourival), Chico Botelho, Veneza e Cacá; Almir, Balduíno e Renato Sá; Ademir, Néia e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Arbitragem – Alvir Renzi/SC auxiliado por Edvaldo Coelho e Getúlio José da Silva.
Cartões amarelos – Décio, Carlos Alberto (C); Cacá (A).
Cartões vermelhos – Janga (C); Renato Sá (A).
Público – Não divulgado.
Renda – CR$ 192.240,00.
Gols – Jorge(C) 7’, Balduíno (A) 17’, Jorge (C) 20’, Balduíno (A) 39’ do 1º tempo; Sérgio Santos (C) 15’, Veneza (A) 30’, Wilsinho (C) 36’ do 2º tempo.
30/10/1977 – Avaí 0 X 1 Chapecoense.

As provas apresentadas pelo Avaí comprovando a fraude da Chapecoense não deixavam duvidas de que o time do oeste perderia os pontos da partida contra o Leão. No entanto, o TJD ainda não havia dado a sentença e a FCF forçava a realização do jogo-extra, conforme previa o regularmento, caso duas equipes chegassem empatadas em número de pontos ao final da competição.
Para os advogados do Avaí, o jogo-extra, a ser disputado em Chapecó, teria um caráter amistoso e não mais de decisão de título, pois deveria ser anulado quando a Chapecoense oficialmente perdesse os pontos. No dia 29/10, véspera do jogo-extra, o advogado Nicanor Silveira, designado pelo TJD para presidir o inquérito do caso Cosme concluiu que houve fraude nas súmulas do jogo Joaçaba x Chapecoense.
No entanto, apesar de todas as provas, o Avaí não conseguiu impetrar um mandado de segurança que solicitava efeito suspensivo para a partida. Em Chapecó o clima era de guerra e a torcida local cantava a vitória antes do jogo começar. A direção da Chapecoense já havia, inclusive, pago a premiação antecipadamente aos seus atletas. No Avaí, os jogadores titulares não queriam participar do jogo, temendo por sua integridade física devido a falta de segurança do estádio Índio Condá. Por estarem com três meses de salários atrasados, eles chegaram a pensar numa greve, mas foram ameaçados por um advogado do clube, que citou o AI-5, dizendo que não poderiam fazer greve.
Quando receberam algum dinheiro, já não havia tempo para ir a Chapecó de ônibus. A delegação concentrou-se em Florianópolis e viajou para Chapecó no dia da partida, em quatro pequenos aviões Navajo, alugados da Orion Aero Táxi, com capacidade de seis a quatro passageiros cada. Enquanto sobrevoavam Joaçaba, uma das portas do avião que levava Orivaldo e Dacica abriu-se em pleno voo.
O jogo foi nervoso e acabou vencido pela Chapecoense, aos 44 minutos do 2º tempo, quando o goleiro do Avaí, Zé Carlos, tentou a defesa, mas foi chutado durante o lance. O juiz José Carlos Bezerra nada marcou e a sobra ficou com Valdir, que passou para o ponta Jaime bater forte e cruzado, marcando o gol da vitória. A torcida invadiu o gramado. A renda do jogo foi depositada no cofre de um dirigente da Chapecoense e a chave foi dada ao prefeito Milton Sander. A Chapecoense negou-se a dar para o Avaí a parte da renda que lhe era de direito. Como mais uma provocação, a direção do time do velho oeste dizia que convidaria o Figueirense para um amistoso de entrega das faixas.
No ano seguinte, em 1978, a Chapecoense levou o troco: o Avaí retirou-se do Campeonato após suspeitas de que o Joinville estivesse sendo favorecido pelas arbitragens e a Chapecoense acabou perdendo o título nos tribunais para o JEC, time da cidade do presidente da federação, José Elias Giuliari.
Ficha da Partida:
15h30min – Chapecoense 1 x 0 Avaí – Camp. Catarinense.
Local: Estádio Regional Índio Condá/Chapecó/SC
Chapecoense: Luis Carlos, Cosme, Carlos Alberto, Décio e Zé Carlos; Janga, Valdir e Sergio Santos; Wilsinho (Jaime), Jorge e Eluzardo. Técnico: Edgar Ferreira
Avaí: Zé Carlos, Orivaldo, Chico Botelho, Marcos e Cacá; Almir, Balduíno e Renato Sá; Ademir, Otacílio (Lourival) e Lico. Técnico: Emilson Peçanha.
Arbitragem – José Carlos Bezerra/SC auxiliado por Allan Giovani Abreu da Silva e Moacir Oliveira.
Público – Não divulgado.
Renda – CR$ mais de 440.000,00.
Gol – Jaime(C) 44’ do 2º tempo.
Fontes:
– Jornal O Estado.
– GUIMARÃES Fº, Anatólio Pinheiro. Avaí em prosa e verso. Florianópolis: Ed. do Autor, 2009.
– KLÜSER, A.; MATOS, F. & DIAMANTARAS, S. O Time da Raça – Almanaque de 90 anos do Avaí Futebol Clube, 1923-2013. Blumenau: Infinita Leitura, 2014.

